{"id":9593,"date":"2020-04-15T11:59:46","date_gmt":"2020-04-15T14:59:46","guid":{"rendered":"http:\/\/juacontecimentos.com.br\/site\/?p=9593"},"modified":"2020-04-15T11:59:46","modified_gmt":"2020-04-15T14:59:46","slug":"como-vou-manter-o-relacionamento-com-meu-cliente-mesmo-com-portas-fechadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/juacontecimentos.com.br\/site\/como-vou-manter-o-relacionamento-com-meu-cliente-mesmo-com-portas-fechadas\/","title":{"rendered":"\u201cComo vou manter o relacionamento com meu cliente mesmo com portas fechadas?\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Doutorando em Administra\u00e7\u00e3o na USP e professor de Empreendedorismo diz que um das grandes dificuldades dos neg\u00f3cios que est\u00e3o parados \u00e9 a falta de planejamento<\/strong><\/h2>\n<div class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-245453 size-full jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-Foto-Divulga%C3%A7%C3%A3o-Sempreende.jpg?resize=620%2C350&amp;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i1.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?w=620&amp;ssl=1 620w, https:\/\/i1.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i1.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?resize=600%2C339&amp;ssl=1 600w\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Professores Altair Camargo e Luciana Padovez | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/p>\n<\/div>\n<p>Os professores Altair Camargo e Luciana Padovez Cualheta eram docentes substitutos da Faculdade de Administra\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancias Cont\u00e1beis e Economia da Universidade Federal de Goi\u00e1s (Face\/UFG) quando criaram em 2014 um curso de extens\u00e3o voltado para o empreendedorismo com vagas para alunos da institui\u00e7\u00e3o. O UFG Empreende criou uma demanda que levou os dois, em setembro de 2017, a abrir a primeira turma da Sempreende, uma escola de empreendedorismo fundada por Altair e Luciana.<\/p>\n<p>Com doutorado em Administra\u00e7\u00e3o, os dois j\u00e1 receberam na Sempreende mais de 1,4 mil alunos com oferta de conte\u00fado focado em pequenos neg\u00f3cios e suas \u00e1reas espec\u00edficas. As restri\u00e7\u00f5es impostas a atividades comerciais e industriais para conter o avan\u00e7o da pandemia da Covid-19 em Goi\u00e1s levou os professores a criar um grupo no Telegram para divulga\u00e7\u00e3o de pequenos neg\u00f3cios locais e dar dicar do que pode ser feito para inovar em meio \u00e0 crise.<\/p>\n<p>Na entrevista ao\u00a0<strong>Jornal Op\u00e7\u00e3o<\/strong>, Altair Camargo fala sobre diferentes experi\u00eancias de empreendedores que precisaram modificar um pouco ou completamente seus neg\u00f3cios para continuar em funcionamento. E destaca a import\u00e2ncia de saber utilizar a internet como aliada da marca. \u201cUma das quest\u00f5es \u00e9 o uso das redes sociais. Como eu vou me comunicar com meu cliente?\u201d<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a ideia de criar um grupo no Telegram para ajudar na divulga\u00e7\u00e3o de pequenos neg\u00f3cios locais?<br \/>\n<\/strong>Sempre tivemos a ideia de estarmos pr\u00f3ximos do aluno para ajud\u00e1-lo. Ministramos cursos, mas dizemos que a aprendizagem n\u00e3o termina no curso. Continua. Sempre, depois de todo curso, fazemos um grupo de WhatsApp para os alunos enquanto colocam em pr\u00e1tica o que aprenderam. Eles nos mandam mensagem ou entram em contato no grupo para ajudarmos no desenvolvimento como uma forma de acompanhar o aluno.\u00a0Dentro de todo o curso, fazemos isso.<\/p>\n<p>Neste momento de crise, a grande maioria dos nossos alunos tem neg\u00f3cios \u2013 diria que cerca de 80% t\u00eam um neg\u00f3cio \u2013 e muitos est\u00e3o parados. Criamos o grupo no Telegram para falar sobre o assunto. Porque no WhatsApp temos um grupo por curso e um grup\u00e3o com todos os alunos.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o ficar monotem\u00e1tico, falando s\u00f3 do novo coronav\u00edrus, o que d\u00e1 certo des\u00e2nimo por causa das not\u00edcias ruins, decidimos falar menos ou quase nada da quarentena nos grupos de WhatsApp e criamos um grupo no Telegram para dar dicas de o que as pessoas e as empresas podem fazer. S\u00e3o v\u00e1rios exerc\u00edcios.<\/p>\n<p>Em um dia da semana, fazemos o exerc\u00edcio do \u201ce se\u201d. \u201cE se voltar agora? E se voltar semana que vem? O que eu vou fazer? E se voltar daqui um m\u00eas?\u201d Outro exerc\u00edcio \u00e9 pensar em produtos que voc\u00ea pode vender para o mesmo p\u00fablico que voc\u00ea vende. Nunca chegamos com receita pronta. N\u00e3o dizemos \u201cfa\u00e7a isso que vai dar certo\u201d.\u00a0\u00a0A ideia sempre \u00e9 a de estimular as pessoas a pensarem em elas pr\u00f3prias se desenvolverem.<\/p>\n<p>O grupo de Telegram j\u00e1 tem mais de 200 pessoas, que acompanham o material e fazem, cada um no seu ritmo. N\u00e3o temos uma cobran\u00e7a por ritmo.<\/p>\n<p><strong>As mais de 200 pessoas s\u00e3o todas alunos da Sempreende?<\/strong><br \/>\nAbrimos a possibilidade de outras pessoas entrarem no grupo tamb\u00e9m. Mas, pelos nomes que t\u00eam aparecido, a grande maioria \u00e9 aluno.<\/p>\n<p><strong>O sr. disse que, nos grupos, tem tentado fugir um pouco das not\u00edcias relacionadas ao avan\u00e7o da pandemia de Covid-19. Que tipo de dica e o que \u00e9 trabalhado junto a essas pessoas?<br \/>\n<\/strong>Tentamos incentivar parcerias. N\u00e3o s\u00f3 nesta \u00e9poca, mas sempre tem parceria entre nossos alunos de um comprar no neg\u00f3cio do outro, um passar a conhecer o outro, at\u00e9 parcerias de neg\u00f3cio mesmo. Uma pessoa que trabalha com festas faz parceria com quem faz doce e vendem para a mesma pessoa. Mais de uma pessoa compartilha os mesmos clientes.<\/p>\n<p>Outra medida que adotamos \u00e9 dar ferramentas de planejamento. Muitos neg\u00f3cios est\u00e3o parados e que muitas vezes nunca fizeram um planejamento. Come\u00e7am a vender e n\u00e3o se preocupam muito com planejar. O que \u00e9 normal no pequeno neg\u00f3cio. Planejar o que ser\u00e1 feito daqui para frente. Que produto eu tenho que posso, de repente, tirar do meu portf\u00f3lio? Que produto n\u00e3o estava vendendo e posso deixar de lado? Que produto eu tenho e posso adicionar no meu portf\u00f3lio?<\/p>\n<p>Uma das quest\u00f5es \u00e9 o uso das redes sociais. Como eu vou me comunicar com meu cliente? Como vou manter o relacionamento com meu cliente mesmo com portas fechadas? \u00c9 este tipo de conte\u00fado que colocamos no grupo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma pr\u00e1tica comum dos pequenos empreendedores que est\u00e3o no grupo usar as redes sociais? J\u00e1 entendem a necessidade de estarem com a marca presente nas redes? H\u00e1 tamb\u00e9m quem ainda n\u00e3o saiba como usar?<br \/>\n<\/strong>Existem estas pessoas. Mas no nosso grupo diria que todos est\u00e3o nas redes sociais e usam para seus neg\u00f3cios. L\u00f3gico que cada um est\u00e1 no seu momento diferente, mas dentro do grupo todo mundo usa rede social. Alguns usam mais com o foco em relacionamento, outros com foco maior em vendas. Mas todos usam.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o neg\u00f3cios que conseguem aproveitar a presen\u00e7a nas redes ou apenas t\u00eam conta nas redes?<\/strong><br \/>\nMuitos est\u00e3o vendendo principalmente fazendo delivery. Todo dia aparece algu\u00e9m que diz, por exemplo, que precisa de uma papelaria para fazer uma atividade com o filho e as papelarias est\u00e3o fechadas. Qual papelaria est\u00e1 fazendo delivery? Sempre tem algu\u00e9m no grupo que tem uma papelaria. A pessoa diz que est\u00e1 funcionando. Quem procura vai ao Instagram da pessoa e encontra as marca\u00e7\u00f5es de como fazer o pedido de delivery. A pessoa pode comprar que quem vende garante que entregar\u00e1 na casa da pessoa.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a divulga\u00e7\u00e3o do produto, mas a divulga\u00e7\u00e3o adaptada aos tempos atuais. O que tem ocorrido \u00e9 muita gente que n\u00e3o quer comprar com medo de adquirir algo que esteja infectado. Vamos imaginar uma caneta. Eu compro uma caneta. A\u00ed eu pego a caneta e posso pegar o novo coronav\u00edrus porque tive contato com a caneta.<\/p>\n<p>Tem muita gente mostrando os bastidores, o cuidado que tem tido, seja com a fabrica\u00e7\u00e3o do produto, com a embalagem, para mostrar como o produto chega ao cliente para evidenciar que a entrega \u00e9 feita de uma forma segura. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria que antigamente s\u00f3 os neg\u00f3cios de alimenta\u00e7\u00e3o tinham. Agora todo neg\u00f3cio tem essa preocupa\u00e7\u00e3o. E isso tamb\u00e9m tem ocorrido no grupo, de uma pessoa ajudar a outra.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 poss\u00edvel discutir em um momento de crise e adaptar? Os empreendedores t\u00eam conseguido lidar com os pequenos neg\u00f3cios?<br \/>\n<\/strong>Muita gente n\u00e3o tem conseguido lidar bem com esse momento. A pessoa que tem o neg\u00f3cio muitas vezes n\u00e3o tem o conhecimento do neg\u00f3cio. Abre-se uma loja, faz-se a divulga\u00e7\u00e3o mais ou menos do jeito que a pessoa acredita que seja o certo e o cliente vez. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim vender. Ou n\u00e3o era. Agora est\u00e1 dif\u00edcil de vender. Ningu\u00e9m est\u00e1 indo atr\u00e1s. Principalmente produtos que n\u00e3o sejam essenciais.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m est\u00e1 comprando um sapato, uma blusa ou algum item parecido. Est\u00e1 mais dif\u00edcil esse tipo de venda. Tem gente que simplesmente ficou paralisada. \u201cMeu neg\u00f3cio ficou fechado\u201d e n\u00e3o sabe o que fazer. E existem alternativas. Pode ser por meio de parcerias. Muita gente tem feito isso, principalmente com servi\u00e7os. Por exemplo, uma cl\u00ednica de massagem est\u00e9tica vende agora por um pre\u00e7o mais baixo um pacote de R$ 400 por R$ 200 para a pessoa fazer no futuro.<\/p>\n<p>Um servi\u00e7o ou produto que era vendido para a pessoa encontrar no local e come\u00e7a a ser vendido para ser consumido em casa. Decoradora de festa n\u00e3o tem como fazer festa durante o isolamento social. Uma de nossas alunas come\u00e7ou a fazer um kit para festa em casa. Ela vende o kit e o pr\u00f3prio cliente faz a decora\u00e7\u00e3o da festa em casa para a fam\u00edlia para comemorar um anivers\u00e1rio ou uma data especial.<\/p>\n<p>Quem usa mais a criatividade, est\u00e1 mais disposto a inovar, saiu da paralisa\u00e7\u00e3o, tem encontrado brechas para vender. Claro que n\u00e3o no n\u00edvel que vendia antes. Mas consegue encontrar brechas. O grande problema est\u00e1 para as pessoas que atuam de forma mais conservadora ou que t\u00eam um apego muito grande ao neg\u00f3cio tradicional. O apego ao neg\u00f3cio como ele sempre foi, \u201cfiz assim, sempre deu certo e tenho de continuar a fazer assim\u201d, sem a mente pronta para inovar, sem proatividade, tem sofrido mais.<\/p>\n<p><strong>As grandes empresas t\u00eam como estruturar uma cadeia de entrega ou usar aplicativos para atender a demanda. Como os pequenos neg\u00f3cios conseguem se fazer conhecidos como uma empresa de bairro, da vizinhan\u00e7a, e enfrentar a concorr\u00eancia da entrega, que \u00e9 mais dif\u00edcil para o pequeno neg\u00f3cio?<br \/>\n<\/strong>Uma coisa \u00e9 se tornar conhecido. Como fazer para se tornar conhecido? Voc\u00ea pode usar redes sociais. Uma coisa que falo muito em todo curso, mas que pouca gente faz \u00e9 sair comentando. Rede social n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o seu perfil. O seu perfil \u00e9 como se fosse a sua casa. Mas ningu\u00e9m est\u00e1 entrando l\u00e1.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode comentar em perfis alheios, mas sem fazer coment\u00e1rios de venda. \u00c9 um coment\u00e1rio como se fosse criar amizade mesmo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma intera\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nExatamente. Ver um story, comenta, manda direct, elogie as pessoas. Mostre para as pessoas que voc\u00ea existe. Fa\u00e7a a busca ativa. \u00c9 usar a rede social fora do perfil. \u00c0s vezes a pessoa pensa em usar a rede social, mas s\u00f3 fica postando no perfil dela. E muitas vezes posta para ningu\u00e9m. Ningu\u00e9m est\u00e1 vendo.<\/p>\n<p>\u00c9 divulgar. Ampliar o nome, a marca da empresa, para fora do seu perfil. Outra coisa que d\u00e1 para fazer \u2013 e n\u00e3o \u00e9 nem para se tornar mais conhecido -, mas vender mais, \u00e9 pegar a base de clientes que as empresas j\u00e1 t\u00eam e utiliz\u00e1-las. Se a pessoa j\u00e1 comprou de voc\u00ea um dia \u00e9 porque j\u00e1 te conhece e gostou de voc\u00ea a ponto de tirar o dinheiro da carteira e pagar. Ir atr\u00e1s dos clientes antigos, conversar com eles.\u00a0E \u00e9 preciso conhecer um pouco de marketing para fazer isso.<\/p>\n<p>Vamos imaginar que eu venda roupa. N\u00e3o \u00e9 chegar para o cliente e dizer \u201colha, estou com um monte parada aqui, me ajuda\u201d e manda um cat\u00e1logo de cem fotos. Eu sei que o Marcos gosta de camisa sem bolso branca e veste M. \u00c9 preciso pegar as fotos de camisa branca sem bolso que voc\u00ea tem no tamanho M e mandar. Diga: \u201cMarcos, essas camisas aqui, est\u00e3o do seu jeito. Se voc\u00ea comprar agora, te dou um desconto porque estamos passando pela pandemia do novo coronav\u00edrus\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 fazer o marketing de um para um. Buscar ativamente os ex-clientes, mostrar que voc\u00ea ainda existe e como voc\u00ea pode ajud\u00e1-lo. O movimento de comprar do pequeno para ajudar est\u00e1 funcionando. As pessoas est\u00e3o com vontade de fazer isso. O pequeno tem a vantagem de o cliente conhecer a hist\u00f3ria de quem vende, os valores, o que ele pensa em termos de pol\u00edtica e sociedade. \u00c9 aproveitar esses pontos e mostrar isso nas redes sociais.<\/p>\n<p>As pessoas gostam de comprar de quem elas se identificam. \u00c9 aproveitar o momento para mostrar a cara.<\/p>\n<blockquote>\n<h1><em><strong>\u201cO pequeno tem a vantagem de o cliente conhecer a hist\u00f3ria de quem vende, os valores\u201d<\/strong><\/em><\/h1>\n<\/blockquote>\n<div class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-245455 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Sempreende-Foto-Divulga%C3%A7%C3%A3o-Sempreende.jpg?resize=620%2C350&amp;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Sempreende-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?w=620&amp;ssl=1 620w, https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Sempreende-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Sempreende-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?resize=600%2C339&amp;ssl=1 600w\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u201cAs pessoas gostam de comprar de quem elas se identificam. \u00c9 aproveitar o momento para mostrar a cara\u201d | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>O sr. citou a intera\u00e7\u00e3o nas redes sociais na \u00faltima resposta e falou tamb\u00e9m sobre o perfil mais conservador do pequeno neg\u00f3cio, quando tem uma atua\u00e7\u00e3o tradicional. A jun\u00e7\u00e3o das duas quest\u00f5es obriga a pessoa a se engajar mais com a marca para n\u00e3o s\u00f3 divulgar, mas fazer com que as pessoas interajam com aquele perfil da empresa?<br \/>\n<\/strong>Muito neg\u00f3cio n\u00e3o tem rede social. Um a\u00e7ougue de bairro nunca precisou ter rede social. A pessoa acaba comprando daquele a\u00e7ougue e n\u00e3o do supermercado porque conhece o dono, conversa com ele. \u00c9 como se fosse um amigo do dono. E a carne no a\u00e7ougue pode at\u00e9 ser mais cara do que a carne do a\u00e7ougue do supermercado. Mas o cliente continua a ir por causa da conversa, porque sabe o corte para cada pessoa, chama o cliente pelo nome.\u00a0A ideia \u00e9 trazer isso para a rede social.<\/p>\n<p>Isso sempre existiu. As pessoas valorizam isso no dia a dia. Mas agora n\u00f3s n\u00e3o temos o dia a dia. Esse contato infelizmente est\u00e1 suspenso. \u00c9 tentar trazer a proximidade de chamar o cliente pelo nome, elogiar o filho, \u201cseu filho cresceu\u201d, saber o tipo de carne e o corte preferido do cliente para a rede social. Porque a rela\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o acabou. Ela est\u00e1 temporariamente ocorrendo mais de forma virtual. E a rede social \u00e9 uma forma de se relacionar.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 trabalhada a migra\u00e7\u00e3o da vendinha do bairro e o com\u00e9rcio pr\u00f3ximo para o com\u00e9rcio virtual como algo definitivo? O que pode mudar na vis\u00e3o de mundo depois da pandemia da Covid-19?<br \/>\n<\/strong>O confinamento acelerou v\u00e1rios processos que as empresas que conseguirem sobreviver teriam no futuro, que \u00e9 trabalhar com a comodidade da pessoa, com entrega na casa do cliente, do jeito que a pessoa quer, as quest\u00f5es sanit\u00e1rias. A preocupa\u00e7\u00e3o com higiene est\u00e1 muito mais nos restaurantes e estabelecimentos de est\u00e9tica e sa\u00fade. Isso migrou para todos os neg\u00f3cio. Outra mudan\u00e7a que ocorre.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o, saber que o mundo n\u00e3o \u00e9 linear, est\u00e1 sujeito a mudan\u00e7as. De repente vem um meteoro \u2013 ou uma pandemia \u2013 e muda o rumo das coisas. A mentalidade de mudan\u00e7a surgia. Muitas empresas j\u00e1 tinha visto isso. Mas essa mudan\u00e7a foi acelerada, veio de uma vez e atingiu todo mundo.<\/p>\n<p>O uso das redes sociais de forma profissional, para captar e se relacionar com os clientes. Muita gente utilizava as redes sociais para colocar produto e esperar o cliente aparecer. Essa forma de rela\u00e7\u00e3o com o cliente \u00e9 superimportante. Era algo que pouca gente fazia. Agora se tornou essencial. Quem n\u00e3o faz isso, aumenta a chance de o neg\u00f3cio n\u00e3o sobreviver depois do confinamento.<\/p>\n<p><strong>O que mudou na sua rela\u00e7\u00e3o de trabalho com o empreendedorismo antes e depois da Sempreende? Quando veio a ideia com a Luciana Padovez de criar uma escola voltada ao empreendedor para dar suporte a quem pensa em come\u00e7ar um neg\u00f3cio ou j\u00e1 tem uma pequena empresa, mas n\u00e3o sabe lidar direito com esse neg\u00f3cio?<br \/>\n<\/strong>N\u00f3s \u00e9ramos professores da UFG e \u00e9ramos respons\u00e1veis por um curso de empreendedorismo na institui\u00e7\u00e3o. Era um curso de extens\u00e3o aberto para todos os alunos. Inicialmente foi aberto apenas para os estudantes da UFG. Atualmente \u00e9 aberto para toda a comunidade. Chama-se UFG Empreende.<\/p>\n<p>Criamos o curso na UFG, que era fechado para alunos da universidade. E pensamos: \u201cPor que n\u00e3o abrir isso para a sociedade? Por que n\u00e3o ensinar as pessoas a empreender?\u201d. V\u00edamos que tinha uma demanda, muita gente queria fazer o curso e n\u00e3o era da UFG. E come\u00e7amos pequenos, com uma turma teste. Deu certo e continuamos. Colocamos novos conte\u00fados, entendendo quem era nosso p\u00fablico, isso foi crescendo e \u00e9 o que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>E \u00e9 o que gostamos. Tanto eu quanto a Luciana tivemos outros neg\u00f3cios, trabalhamos em outras empresas. V\u00edamos que faltava, e ainda falta muito, a liga\u00e7\u00e3o entre a academia o mercado pr\u00e1tico. Muita coisa que ocorre na academia fica na academia e muita coisa que ocorre na pr\u00e1tica n\u00e3o tem nada a ver com o que se estuda. Tem muita gente fazendo coisa que estudamos na academia e faz errado.<\/p>\n<p>Pensamos em unir os dois mundos com nossos cursos. Eu e Luciana fizemos mestrado e doutorado pensando no pequeno neg\u00f3cio. Unimos os dois mundos com um curso r\u00e1pido. N\u00e3o \u00e9 aquele curso te\u00f3rico que muitos est\u00e3o acostumados na universidade. \u00c9 um curso voltado para a pr\u00e1tica, por\u00e9m baseado em uma teoria robusta e pesquisa cient\u00edfica. N\u00e3o tem o \u201cacho que \u00e9 isso, ent\u00e3o fa\u00e7a assim\u201d.\u00a0Nosso curso \u00e9 sempre baseado na pesquisa cient\u00edfica e tamb\u00e9m no pensamento cr\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 uma l\u00f3gica do coach do empreendedorismo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Nunca damos receita do que fazer para dar certo. Incentivamos os alunos a pensar. Entendemos a individualidade de cada aluno, de cada neg\u00f3cio. Sabemos que cada neg\u00f3cio \u00e9 diferente. Vou falar para determinado aluno \u201c\u00e9 melhor voc\u00ea fazer um Instagram e postar mais nos stories\u201d. Mas para outro pode ser \u201c\u00e9 melhor voc\u00ea pegar seu dinheiro e colocar em outra coisa, nem precisa ter instagram\u201d. \u00c9 claro que a decis\u00e3o ser\u00e1 sempre do aluno. N\u00e3o vamos impor nada.<\/p>\n<p><strong>A Sempreende existe h\u00e1 quanto tempo?<\/strong><br \/>\nA Sempreende tem dois anos e meio. O primeiro curso foi em setembro de 2017.<\/p>\n<p><strong>Sabe quantos alunos j\u00e1 passaram pela escola?<\/strong><br \/>\nEm torno de 1,4 mil a 1,5 mil alunos.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 o curso de extens\u00e3o na UFG?<\/strong><br \/>\nO curso continua. Criamos, fomos respons\u00e1veis por dar o curso dois ou tr\u00eas semestres e sa\u00edmos da UFG. Neste ano, eu voltei. Dei aula para uma turma neste semestre. Luciana ainda n\u00e3o. Era para ter tido outra turma, mas por causa da paralisa\u00e7\u00e3o nas aulas n\u00e3o pudemos dar o curso. Estou \u00e0 frente do projeto novamente.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o que os dois t\u00eam com a UFG?<\/strong><br \/>\nFomos professores substitutos e hoje somos professores contratados. Como temos experi\u00eancia com o curso, nos contratam especificamente para dar o curso. Mas como estudamos na UFG na gradua\u00e7\u00e3o e no mestrado, estamos sempre na institui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o formalmente, mas temos um contato muito grande com a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desde o curso de extens\u00e3o at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da Sempreende, o que mudou na realidade dos novos neg\u00f3cios de antes para quem busca informa\u00e7\u00e3o para manter ou abrir uma empresa?<br \/>\n<\/strong>Come\u00e7amos em 2014 o UFG Empreende. Era algo pouco conhecido. Menos pessoas falavam em empreendedorismo do que hoje. N\u00e3o tinha uma oferta de curso livre. Foi a primeira escola de Goi\u00e2nia e uma das primeiras do Brasil para quem quer abrir neg\u00f3cios novos.<\/p>\n<p>Antes, a pessoa que queria abrir um neg\u00f3cio fazia pelo o que vinha na cabe\u00e7a ou ia para o Sebrae e tinha as consultorias. O Sebrae \u00e9 muito bom, tem suas vantagens, mas \u00e9 gen\u00e9rico. Uma pessoa que quer abrir um a\u00e7ougue, quer abrir uma loja de roupa ou uma loja de software, o curso, a solu\u00e7\u00e3o ou produto que o Sebrae oferece \u00e9 o mesmo.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos a oferecer produtos individualizados para cada tipo de neg\u00f3cio e atender as pessoas de forma mais personalizada. Vemos que aumentou o n\u00famero de cursos. Concorrentes existem muitos. E aumentou a procura de pessoas por esse tipo de curso. As pessoas t\u00eam visto que precisam se capacitar.<\/p>\n<p>As pessoas est\u00e3o vendo que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil abrir um neg\u00f3cio, que \u00e9 preciso aprender algo antes. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comprar um produto, abrir uma loja e come\u00e7ar a vender que vai ganhar dinheiro com isso.\u00a0O que vejo \u00e9 um amadurecimento das pessoas, uma preocupa\u00e7\u00e3o com a prepara\u00e7\u00e3o antes de abrir um neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>Na ter\u00e7a-feira, 31, o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica] publicou os dados da primeira Pnad Cont\u00ednua [Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua] realizada por telefone em decorr\u00eancia do isolamento social. Subiu o desemprego no trimestre fechado em fevereiro de 11,2% para 11,6%. S\u00e3o 38 milh\u00f5es de informais. E h\u00e1 uma l\u00f3gica nova de chamar qualquer aut\u00f4nomo ou informal de empreendedor. Como o sr. avalia essa nova classifica\u00e7\u00e3o utilizada para todo trabalhador informal como empreendedor?<br \/>\n<\/strong>O conceito de empreendedor n\u00e3o est\u00e1 definido. Tem gente que diz que empreendedor \u00e9 quem abre um neg\u00f3cio. H\u00e1 quem fale que empreendedor \u00e9 quem inova dentro da empresa. Tem gente que diz que o vendedor de porta em porta ou o motorista por aplicativo \u00e9 um empreendedor por fazer alguma coisa diferente. Depende da defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Particularmente, considero empreendedor uma pessoa que faz alguma coisa diferente, que inova, seja abrindo um novo neg\u00f3cio ou fazendo um neg\u00f3cio diferente ou algo diferente na empresa em que trabalha. N\u00e3o considero que o vendedor no sinal entre na conta do empreendedorismo. \u00c0s vezes a pessoa est\u00e1 no sem\u00e1foro tentando uma forma de sustento, mas talvez possamos cham\u00e1-lo de empreendedor em potencial se ele quiser fazer aquilo virar um neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m podemos ter um preconceito de dizer que a pessoa que est\u00e1 no sinal n\u00e3o \u00e9 empreendedor. S\u00f3 que ele pode fazer ali uma superinova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o tem um CNPJ ele n\u00e3o \u00e9 um empreendedor. Uma pessoa que vende \u00e1gua na rua, por exemplo, se veste de gar\u00e7om, deixa a \u00e1gua bem geladinha, vai servindo. Essa pessoa pode ser talvez considerado um empreendedor porque fez algo diferente.<\/p>\n<p>Agora a pessoa que compra uma caixa de jujuba por R$ 0,50 cada uma e vende por R$ 2 \u00e9 mais uma maneira de ganhar dinheiro. \u00c9 quase uma esmola. Ent\u00e3o \u00e9 preciso diferencial e realmente \u00e9 dif\u00edcil classificar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 empreendedor. \u00c9 muito subjetivo. N\u00e3o acredito que ter um CNPJ \u00e9 sin\u00f4nimo de ser empreendedor. Mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque a pessoa est\u00e1 ganhando dinheiro de forma aut\u00f4noma que \u00e9 uma empreendedora.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 para ficar mais claro, quem \u00e9 o empreendedor e quem \u00e9 o empreendedor em potencial?<br \/>\n<\/strong>O empreendedor em potencial \u00e9 aquela pessoa que v\u00ea uma oportunidade mas ainda n\u00e3o executou. Est\u00e1 no quase. Pode at\u00e9 ser a pessoa que vende a jujuba no sinal, que, de repente, ao inv\u00e9s de vender a jujuba do jeito que sempre fez, come\u00e7a a recitar um poema para convencer a pessoa a comprar a jujuba. E da jujuba passa a vender um chocolate. Do chocolate, passa a ir para um ponto de \u00f4nibus e monta a barraquinha. E se torna empreendedor.<\/p>\n<p>O que chamo de empreendedor em potencial \u00e9 aquela pessoa que est\u00e1 em um lugar, \u00e0s vezes trabalhando, \u00e0s vezes n\u00e3o, mas que ainda n\u00e3o inovou. Pode at\u00e9 j\u00e1 ter visto a oportunidade, teve uma ideia, mas ainda n\u00e3o executou. O empreendedor \u00e9 quem executa, faz algo direcionado \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. E quando falamos em inova\u00e7\u00e3o \u00e9 algo diferente para ele ou para o bairro e que d\u00ea dinheiro. Porque n\u00e3o podemos chamar de empreendedor algu\u00e9m que inventa algo que n\u00e3o d\u00e1 dinheiro ou resultado algum.<\/p>\n<blockquote>\n<h1><em><strong>\u201cCome\u00e7amos a oferecer produtos individualizados para cada tipo de neg\u00f3cio e atender as pessoas de forma mais personalizada\u201d<\/strong><\/em><\/h1>\n<\/blockquote>\n<div class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-245454 jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-1-Foto-Divulga%C3%A7%C3%A3o-Sempreende.jpg?resize=620%2C350&amp;ssl=1\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-1-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?w=620&amp;ssl=1 620w, https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-1-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i2.wp.com\/www.jornalopcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Altair-Camargo-Luciana-Padovez-1-Foto-Divulga\u00e7\u00e3o-Sempreende.jpg?resize=600%2C339&amp;ssl=1 600w\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u201cVemos que aumentou o n\u00famero de cursos. Concorrentes existem muitos. E aumentou a procura de pessoas por esse tipo de curso. As pessoas t\u00eam visto que precisam se capacitar\u201d | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>A participa\u00e7\u00e3o da mulher no empreendedorismo, \u00e0 frente dos neg\u00f3cios, \u00e9 uma constante? \u00c9 grande a presen\u00e7a da mulher no empreendedorismo em Goi\u00e1s?<br \/>\n<\/strong>Nos nossos cursos, 75% dos alunos s\u00e3o mulheres. Notamos que s\u00e3o as mulheres mesmo que querem fazer os cursos. E muitos homens v\u00e3o porque a mulher levou e acaba indo o casal. A mulher quer ter o neg\u00f3cio, quer seu posicionamento, ser independente pelas vantagens de ser empreendedora e ter seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio: trabalhar em casa, ter mais flexibilidade de hor\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em um emprego formal, sabemos que uma mulher \u00e9 menos valorizada do que o homem na mesma fun\u00e7\u00e3o. O sal\u00e1rio \u00e9 menor. No empreendedorismo, ela tem a oportunidade de ter um sal\u00e1rio igual. O n\u00famero de mulheres empreendedoras \u00e9 maior do que o de homens no Brasil. Empresas geridas por mulheres geralmente duram mais tempo. Os funcion\u00e1rios preferem l\u00edderes mulheres do que l\u00edderes homens.<\/p>\n<p>Na nossa empresa vemos que s\u00e3o mais mulheres, que est\u00e3o mais interessadas em aprender. Geralmente as mulheres criam uma bagagem maior antes de come\u00e7ar de fato um neg\u00f3cio. De forma geral, o homem \u00e9 mais impulsivo, tem a ideia e quer come\u00e7ar. Em geral, a mulher tem a ideia, avalia o que sabe fazer, tenta melhorar o que n\u00e3o sabe fazer e, a\u00ed sim, come\u00e7ar o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Disse que muito homem vai porque a mulher leva. E tem muito homem que a mulher pediu. Ele chega ao curso e fala que a esposa disse que ele precisa aprender mais porque n\u00e3o sabe. A mulher est\u00e1 mais interessada em se capacitar mais.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel apontar tr\u00eas dicas b\u00e1sicas para come\u00e7ar a trabalhar o pequeno neg\u00f3cio em meio \u00e0 crise?<br \/>\n<\/strong>Tem v\u00e1rios lados. Mas o principal no momento de crise \u00e9 rever os cursos. Diminuir ao m\u00e1ximo os custos fixos. Diminuir o que gasta sem produzir. \u00c9 preciso trazer isso para o m\u00ednimo poss\u00edvel. Ver o que \u00e9 poss\u00edvel economizar e renegociar com operadoras, seja de internet, aluguel, fornecedores. O que d\u00e1 para diminuir \u00e9 o ponto principal.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 n\u00e3o paralisar. N\u00e3o deixar o neg\u00f3cio morrer. Continuar lembrando os clientes que o neg\u00f3cio existe. Continuar lembrando, seja por rede social, telefone, WhatsApp, que o neg\u00f3cio continua existindo.<\/p>\n<p>E a terceira forma \u00e9 o processo. Pensar: \u201cComo eu vou vender neste cen\u00e1rio em que n\u00e3o posso abrir as portas?\u201d. Porque imaginamos que o com\u00e9rcio pode ser liberado na pr\u00f3xima semana. Mas se n\u00e3o liberar e eu precisar ficar mais um m\u00eas com as portas fechadas? Como posso manter o neg\u00f3cio: fazendo entrega? E muitas vezes ficamos focados na entrega tradicional.<\/p>\n<p>Uma aluna tem um pub, encomendou v\u00e1rios litros de chope verde para o St. Patrick\u2019s Day \u2013 17 de mar\u00e7o \u2013 e n\u00e3o teria como vender porque o pub n\u00e3o podia abrir. O que ela fez? Colocou os barris de chope em uma caminhonete e fez uma esp\u00e9cie de rod\u00edzio de chope. Ia \u00e0 casa dos clientes servir o chope rodando a cidade. \u00c9 preciso usar a criatividade para criar formas diferentes de entregar o produto.<\/p>\n<p>Vi que nos Estados Unidos uma cidade estava com falta de papel higi\u00eanico. Uma empresa de publicidade tinha muito papel higi\u00eanico e resolveu doar os rolos. E passou a dar por drive-thru. Quando pensamos em drive-thru imaginamos o McDonald\u2019s. Mas pode ser simplesmente a pessoa parada na cal\u00e7ada, o cliente passa de carro e o produto \u00e9 jogado dentro do carro. Fizeram isso com papel higi\u00eanico, mas poderia ser feito com outros produtos.<\/p>\n<p>Uma loja de roupa pode pensar em uma de higienizar a roupa, enviar para a casa da pessoa, que experimenta, devolve e voc\u00ea cria uma forma de desinfectar a pe\u00e7a antes de mandar para outro cliente. \u00c9 preciso ciar formas alternativas de entregar o produto. A forma tradicional \u00e9 o cliente ir at\u00e9 a loja e voc\u00ea entregar o produto. Pode at\u00e9 ser que as novas formas fiquem, seu neg\u00f3cio mude com o uso de uma entrega diferente.<\/p>\n<p><strong>Tem algo que n\u00e3o abordamos na entrevista e que gostaria de destacar?<br \/>\n<\/strong>O principal para este momento \u00e9 ter a mente aberta. \u00c9 preciso compreender que seu neg\u00f3cio pode n\u00e3o ser mais o que era antes. Um exemplo \u00e9 a Sempreende, que \u00e9 uma escola que vende cursos presenciais. De repente, podemos passar a vender os cursos 100% on-line.<\/p>\n<p>\u00c9 entender que \u00e9 uma coisa incontrol\u00e1vel. N\u00e3o adianta ficar lamentando, porque n\u00e3o foi culpa de ningu\u00e9m o v\u00edrus e a pandemia. Todo mundo est\u00e1 sofrendo as mesmas consequ\u00eancias. A regra do jogo \u00e9 a mesma para todo mundo. \u00c9 preciso ter essa mente inovadora, pensar formas de inovar. \u00c9 pensar fora da caixa.<\/p>\n<p>Existem algumas t\u00e9cnicas que podem ser adotadas para pensar fora da caixa. Uma delas \u00e9 o \u201ce se\u201d. E se eu puder abrir na semana que vem? E se eu ganhar um financiamento de R$ 100 mil? E se meus clientes n\u00e3o voltarem? E se meus concorrentes fecharem e s\u00f3 eu sobrar? \u00c9 hora de pensar nas v\u00e1rias formas e conversar com pessoas de \u00e1reas que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a sua. Se voc\u00ea vende roupa, pergunte para algu\u00e9m que vende cachorro quente o que ele acha que voc\u00ea pode fazer para sua loja vender mais. E ouvir.<\/p>\n<p>Tire o n\u00e3o do vocabul\u00e1rio. A primeira rea\u00e7\u00e3o de quem ouve uma sugest\u00e3o \u00e9 dizer que n\u00e3o vai dar certo por causa disso ou daquilo. N\u00e3o ouve a ideia do outro e j\u00e1 fala que n\u00e3o vai dar certo. \u00c9 hora de ouvir, entender, pegar ideias de amigos e evitar falar n\u00e3o de primeira.<\/p>\n<p>Quem tem uma loja de roupa, por exemplo, e algu\u00e9m sugere que a pessoa passe a levar a roupa na loja da pessoa. De primeira, a pessoa j\u00e1 diz que n\u00e3o d\u00e1. Ent\u00e3o sugere para anunciar no Mercado Livre, mas a pessoa aponta outro motivo para j\u00e1 dizer que n\u00e3o d\u00e1. \u00c9 hora de tirar o n\u00e3o do vocabul\u00e1rio. \u00c9 hora de ouvir a ideia, pensar e estruturar o que \u00e9 poss\u00edvel fazer.<\/p>\n<p>N\u00e3o vai ser aquela ideia exatamente a usada. Mas de uma ideia que n\u00e3o vai ser usada pode surgir outra ou unir mais ideias a partir de uma sugest\u00e3o recusada. \u00c9 preciso ouvir, estar aberto a ouvir e estar aberto \u00e0 mudan\u00e7a. N\u00e3o julgar logo de cara.<\/p>\n<div class=\"yarpp-related\">\n<div class=\"entry-related\"><\/div>\n<\/div>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doutorando em Administra\u00e7\u00e3o na USP e professor de Empreendedorismo diz que um das grandes dificuldades dos neg\u00f3cios que est\u00e3o parados \u00e9 a falta de planejamento Professores Altair Camargo e Luciana Padovez | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook Os professores Altair Camargo e Luciana Padovez Cualheta eram docentes substitutos da Faculdade de Administra\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancias Cont\u00e1beis e Economia da 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