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Centrão mantém distância de Flávio Bolsonaro e preserva pontes com Lula de olho no Congresso

Centrão mantém distância de Flávio Bolsonaro e preserva pontes com Lula de olho no Congresso

access_time 14 horas ago

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

DM Online

Partidos do Centrão adotaram uma estratégia de cautela na disputa presidencial de 2026. Enquanto mantêm distância formal da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), as legendas preservam canais de diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e concentram esforços na eleição de bancadas fortes para o Congresso Nacional.

A movimentação envolve União Brasil, PP, Republicanos e MDB. União Brasil e PP, reunidos na União Progressista, optaram pela neutralidade na corrida presidencial, decisão também tomada por Republicanos e MDB. No Republicanos, a posição foi definida por 17 votos pela neutralidade, nove favoráveis a Flávio e apenas um a Lula.

A neutralidade não significa necessariamente uma aproximação ideológica com Lula. O cálculo das legendas passa principalmente pela composição do Congresso que assumirá em 2027.

A estratégia é ampliar o número de deputados e senadores e, dessa forma, aumentar o poder de negociação com o próximo presidente, independentemente de quem vencer a eleição.

Antes mesmo das convenções partidárias, a União Progressista já trabalhava para direcionar recursos às disputas estaduais e ao Congresso, preservando liberdade para negociar posteriormente com o vencedor da corrida pelo Palácio do Planalto.

Esse comportamento aparece também nas alianças regionais. Apesar da neutralidade nacional, a União Progressista está coligada ao PL em dez estados e ao PT ou à Federação Brasil da Esperança em quatro.

A estratégia partidária não impede manifestações individuais de seus principais dirigentes.

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, afirmou recentemente que o Centrão está com Lula. Já o senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou voto pessoal em Flávio Bolsonaro, embora seu partido tenha optado por não integrar oficialmente a chapa presidencial do senador.

As posições mostram que as alianças nacionais e estaduais não necessariamente caminham na mesma direção durante a eleição.

Para Flávio Bolsonaro, a neutralidade das siglas representa um obstáculo na tentativa de construir uma coalizão nacional mais ampla.

O senador aparece como principal adversário de Lula nas pesquisas recentes, mas enfrenta dificuldades para transformar esse desempenho eleitoral em apoio formal dos grandes partidos do centro.

Pesquisa BTG/Nexus divulgada em 17 de agosto mostrou Lula com 47% e Flávio com 44% em uma eventual disputa de segundo turno, configurando empate técnico dentro da margem de erro. No primeiro turno, o levantamento apontou 41% para Lula e 36% para Flávio.

Outra pesquisa, da Quaest, divulgada no dia 14, também indicou redução da distância entre os dois: Lula apareceu com 38% e Flávio com 31% no primeiro turno.

A experiência do atual governo ajuda a explicar a importância atribuída pelas legendas à composição do Legislativo.

Lula iniciou seu terceiro mandato sem maioria própria no Congresso e precisou negociar apoio com partidos do centro para aprovar projetos e reorganizar sua base parlamentar.

Para essas siglas, uma bancada numerosa na Câmara e no Senado significa capacidade de participar das principais negociações do próximo governo, incluindo votações de projetos, distribuição de espaços políticos e definição das presidências e demais cargos estratégicos do Legislativo.

Por isso, o resultado das eleições para deputado e senador pode ser tão importante para o Centrão quanto a própria corrida presidencial.

Ao evitar uma adesão antecipada a Flávio Bolsonaro ou Lula, os partidos preservam espaço para reorganizar suas alianças depois das urnas.

A estratégia permite apoiar diferentes candidaturas nos estados, fortalecer bancadas próprias e chegar a 2027 em posição para negociar com o presidente eleito.

Na prática, o movimento mostra que a eleição presidencial é apenas uma parte da disputa pelo poder em Brasília. Para o Centrão, controlar uma parcela relevante do próximo Congresso pode significar influência decisiva sobre qualquer governo que assumir o Palácio do Planalto.