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Jogo entre policiais civis e índios Karajá incentiva a preservação do Rio Araguaia, em Aruanã

Jogo entre policiais civis e índios Karajá incentiva a preservação do Rio Araguaia, em Aruanã

access_time 7 anos ago

Delegacia do Meio Ambiente promove partida há 18 anos com o objetivo de mobilizar aldeia e a comunidade local nos cuidados com o rio.

Por Murillo Velasco, G1 GO

Um  jogo de futebol entre policiais civis e índios Karajá incentiva, há quase 20 anos, a preservação do Rio Araguaia, em Aruanã, na região noroeste de Goiás. De acordo com o idealizador do projeto, o delegado Luziano Carvalho, o objetivo é promover a união entre as culturas e somar forças para tentar impedir que o rio seja degradado.

“Os índios Karajá têm uma história viva, uma existência intimamente ligada ao Rio Araguaia. E nada melhor do que unir o homem branco com o índio para proteger este patrimônio que é uma das maiores riquezas naturais do estado, do nosso centro-oeste brasileiro”, afirmou ao G1.

A 18ª edição da partida aconteceu no último fim de semana no Estádio João Artiaga, em Aruanã. O jogo foi entre policiais da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) e a Aldeia Buridina Karajá. Os agentes conseguiram a primeira vitória dos últimos três anos, fechando o placar em 5 a 3.

De acordo com o delegado, o jogo é realizado sempre nos meses de julho por ser um período de alta temporada. A partida faz parte do calendário de atividades da temporada do Araguaia e busca conscientizar o grande número de turistas presentes na cidade.

“É um momento fundamental para envolver todo mundo e mostrar que é possível salvar nosso rio e preservar essa beleza ímpar, bem como a biodiversidade proporcionada por ele”, disse o delegado.

Surgimento

A ideia do jogo surgiu em 2000, um ano depois do delegado se tornar titular da Dema. Ele conta que teve a iniciativa, junto com os colegas de profissão, de criar o jogo para reverter uma teoria distorcida de que o índio era o responsável pela degradação do Rio Araguaia.

“Surgiu uma história de que o índio é quem destruía o Rio Araguaia, colocando redes, retirando peixes. Hoje sabemos que a história não é essa, o que destrói o rio é o desmatamento, a poluição, e todas estas ações violentas que não são os índios que praticam”, ressaltou o delegado.

Luziano reitera ainda o potencial econômico desempenhado pelos indígenas na região do Rio Araguaia. Ele afirma que o uso consciente dos recursos naturais é fundamental para a manutenção da biodiversidade e para o desenvolvimento sócio-econômico da região.

“A pesca é importante para a economia, o turismo é importantíssimo e fundamental para região. Agora, encontrar um equilíbrio entre tudo isso é primordial. Precisamos desfrutar do Araguaia, cuidando dele, preservando, para que o tenhamos sadio, limpo e sempre vivo”, completou Carvalho.

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