Notícias

Venda direta de etanol para postos de combustíveis dependerá de custos

Venda direta de etanol para postos de combustíveis dependerá de custos

access_time 3 anos ago

MP não é garantia de que preço será reduzido, diz representante do setor; ajustes na cadeia, o que inclui a logística de transporte, devem impactar valor final

adesão do mercado de combustíveis à medida provisória (MP) que permitirá que produtores e importadores de etanol hidratado possam vender o produto diretamente para postos de combustíveis, sem passar pelas distribuidoras, ainda dependerá de custos logísticos e operacionais. Comprando direto da usina, os postos de combustíveis seriam obrigados a buscar o produto na indústria, o que implica em gastos com transporte. Já as usinas terão de adequar suas operações para fazerem várias vendas menores, ao invés de uma única venda em grande escala para a distribuidora, o que pode implicar em alta de custos.

A medida entra em vigor a partir do quarto mês após a publicação da MP para propiciar tempo suficiente para adequação. A expectativa do governo federal é que ela promova a abertura do mercado e aumento da concorrência, com potencial redução dos preços. Mas a MP não é uma garantia de que o preço do etanol será reduzido, o que ainda dependerá de ajustes de custos na cadeia.

Esta venda direta era discutida há muito tempo entre o governo e o setor, mas a tributação era uma barreira, que foi resolvida. O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol no Estado (Sifaeg), André Luiz Rocha, explica que a usina que vender diretamente para o posto se tornará o substituto tributário, ou seja, ficará responsável pelo recolhimento de todos os tributos, inclusive os de responsabilidade da distribuidora.

Assim, não há mudança na carga tributária e o governo não perde receita. A MP também permite que os postos possam comercializar combustíveis de distribuidor diferente da marca exibida, desde que sinalizado para o consumidor, o que ainda deve ser regulamentado nos próximos 90 dias, pois os postos de bandeira tem contrato de exclusividade. Mas André Rocha ressalta que ainda será preciso analisar o ganho logístico na operação, pois o caminhão que transporta os combustíveis até o posto costuma levar gasolina, etanol e diesel de forma compartilhada, o que garante mais eficiência. “Será preciso analisar se o custo de buscar o combustível direto da usina vai compensar, pois o transporte será responsabilidade dos postos. É preciso ver como eles lidarão com os custos desta logística”, adverte o presidente do Sifaeg.

Com certeza, os postos esperam pagar mais barato nas usinas, mas André lembra que as indústrias também terão que adaptar suas operações. “Uma coisa é vender milhões de litros para uma distribuidora, outra é fazer várias vendas de milhares de litros para muitos postos, o que exigirá operações e pagamentos diferentes”, alerta. As 35 usinas goianas comercializam cerca de 400 milhões de litros mensais de etanol. Por isso, por enquanto, ele acredita que não há como criar expectativa de que será melhor ou pior. “Se o preço cair, também será preciso ver se o posto vai querer reduzir o valor na bomba para ser mais competitivo ou se vai aumentar sua margem”

Competitivo

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado (Sindiposto), Márcio Andrade, concorda que a medida não terá um impacto imediato. Porém, ele lembra que, quanto mais liberdade e opções de compra, mais competitivo se torna o mercado. “Isso abre mais uma opção de fornecimento e aumenta a concorrência, o que já pode resultar em melhores preços”, prevê.

Porém, Márcio reconhece que as usinas terão de se adaptar para atenderem volumes menores. “Ainda não sabemos como este provável aumento de custos vai se refletir nos preços na indústria”, adverte. O presidente do Sindiposto prevê que transportadoras devem oferecer o serviço de transporte do combustível até os postos, mas ainda será preciso analisar se o veículo próprio é a melhor opção ou não. “Quem vai definir se será bom ou ruim é o mercado, mas o passo mais importante foi dado, que é ampliar a liberdade de atuação”, acredita. Procurada, a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Bicombustíveis (Brasilcom) alegou que aguarda a publicação oficial da MP para se pronunciar.

 

Compartilhe essa notícia

Comentários